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Reginaldo Faria comemora 50 anos de carreira na série Grandes Atores

Não é só a Rede Globo que está comemorando 50 anos de estrada. Reginaldo Faria também completa cinco décadas de carreira e faz um balanço de sua trajetória vitoriosa na série Grandes Atores, do Canal Viva, que vai ao ar na quarta 6, às 23h. O veterano conta que precisou superar dificuldades emocionais e psicológicas para trabalhar na TV. “Tinha muito medo. Cada câmera era como se fosse um take. Então, tinha que representar para todas. Só que dentro disso tudo você falava um texto só, que era gigantesco. A possibilidade do ator se encontrar nisso era mínima. Eu entrava em pânico!”, comenta.
Em seu depoimento, um dos assuntos é de quando recusou o convite para fazer O Espigão (1974), reflexo do receio que tinha diante do ritmo da telinha. Daniel (Filho) me chamou na sala dele. Lima Duarte e várias personalidades da época estavam lá. Ele me convidou para fazer a novela, mas eu queria mais ou menos um mês para me preparar. Quando ele disse que começava a gravar no dia seguinte, pulei fora”. O diretor continuou insistindo em Reginaldo, mas o ator “sempre fugia”, como o próprio admite, rindo. “Até que ele conseguiu me levar para Dancin’ Days (1978). Estava tão apavorado, que procurei um neurologista. Ele me receitou um remédio para tomar 40 minutos antes de entrar em cena. Quando chegou a hora de gravar, estava completamente drogado, não conseguia falar!”, conta, imitando o incidente. “No dia seguinte, voltei sem remédio, né? Fui enfrentando a situação. Comecei a fazer yoga. Foi o que segurou minha barra durante as gravações.”
A estreia na televisão, no entanto, foi em 1965, em Ilusões Perdidas, A primeira novela da TV Globo. “Eu e Leila Diniz éramos os protagonistas. Foi delicioso trabalhar com ela. Era extrovertida, carinhosa, deixava você à vontade. E muito bonita, né? Eu contracenava com ela babando com aquela beleza toda.”. No mesmo ano, Reginaldo também participou de Paixão de Outono e Um Rosto de Mulher. Em 1979, foi a vez de Pai Herói. No ano seguinte, viveu Nelson Fragonard, em Água Viva, um dos personagens mais marcantes de sua trajetória. Jacques Léclair, da primeira versão de Ti-ti-ti (1985), também é destacado pelo ator. “Foi uma boa escola. O Wolf (Maya) que dirigia, falou uma coisa interessante: ‘Você pegou com uma tal rapidez, que chego a desconfiar de você’”, recorda.
Mas foi em Vale Tudo (1988), que Reginaldo interpretou uma das cenas mais emblemáticas da teledramaturgia. Quando Marco Aurélio, seu personagem, vai embora do Brasil, cheio do dinheiro, e se despede dando uma ‘banana’ para o país. “Foi uma novela que questionou bastante política e socialmente a situação em que o país estava. Ficou para a história a cena. Gilberto (Braga) acertou na mosca. Maravilhoso!”
Durante a entrevista, o convidado também comenta como começou, por acaso, a atuar. Quando era assistente de câmera de No Mundo da Lua (1958), filme dirigido por seu irmão, Roberto Farias, um ator faltou à gravação e ele foi escalado. “Os primeiros olhares se voltaram para mim. E eu louco para fazer, evidente. O Roberto me trancou no apartamento dele por uma semana fazendo testes todos os dias. Tinha vontade de dar um soco nele, exigia demasiadamente de mim. Mas ele foi meu verdadeiro aprendizado, quem deu verdadeiramente o primeiro impulso.”. Sobre a ligação com os irmãos, descreve: “Somos muito unidos, desde pequenos, época em que ajudávamos no açougue do meu pai, em Nova Friburgo. Nos protegemos muito, porque tem a paixão vinda do espírito dele no trabalho e na luta, e há a pelo cinema, que também nos une.”.
Ainda sobre a vida pessoal, Reginaldo revela como uma complicação de saúde em 2004 lhe fez refletir sua postura no dia a dia. “Quando estava em Força de Um Desejo (1999), atravessei uma fase muito difícil. Comecei fazendo um cateterismo. Cinco anos depois, tive que me submeter a outro, mas, por erro médico, romperam minha coronária. Fiquei 20 dias em coma. Fiz uma viagem onírica ou, realmente, fui parar em outro tipo de dimensão. Foi um troco incrível. Quando sai do hospital não tinha massa muscular, pesava 60 quilos. Não conseguia escrever nem falar. Foi um período de grande aprendizado, de grande necessidade de lutar pela vida. Deus me fez compreender uma série de coisas que eu não entendia, até mesmo pela minha própria arrogância. Aprendi a reconceituar a minha vida. Antes, era capaz de brigar por qualquer coisa. Isso me fez sentir melhor o que é a vida. Emociona estar vivo, que é muito mais importante”, encerra.

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