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O Brasil perde o grande Umberto Magnani


A tristeza tomou conta de todo o país com a confirmação da morte de Umberto Magnani, aos 75 anos. Ele sofreu um Acidente Vascular Encefálico (AVE) hemorrágico no dia do seu aniversário, na segunda 25, e estava internado no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, até hoje de manhã, quando foi confirmado o seu óbito. É impossível não lamentar tamanha perda, mas por outro lado, Umberto deixou esse plano enquanto se preparava para gravar cenas da novela Velho Chico, da Globo, na qual interpretava o Padre Romão. Ou seja: em pleno exercício de sua grande paixão, que é a arte de interpretar. Assim como aconteceu com Cacilda Becker, que  sofreu um derrame cerebral durante a apresentação do espetáculo Esperando Godot, que ela encenava com o marido, Walmor Chagas, em São Paulo, no dia 6 de maio de 1969. 
Com extensa carreira em teatro e TV, Magnani  era casado com Cecília Maciel Magnani e deixa três filhos, Ana Julia Magnani, Beto Magnani, Graciana Magnani, e duas netas. O velório acontece hoje, a partir das 21h, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo (Rua Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque). Amanhã, quinta 28, às 11h, acontecerá um breve momento para despedidas no Palácio da Cultura Umberto Magnani Netto (R. Conselheiro Dantas, 220 – Bairro São José, Santa Cruz do Rio Pardo), na cidade natal do ator, Santa Cruz do Rio Pardo. O sepultamos será às 14h, no Cemitério Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo.
Nascido no dia 25 de abril de 1941, em Santa Cruz do Rio Pardo, em São Paulo, Umberto dedicou a vida às artes cênicas. Com intensa atividade no teatro, foi ator premiado, marcando presença na cena nacional não somente como intérprete, mas também como realizador dos espetáculos em que atuou. Em 1965, iniciou o curso de interpretação na Escola de Arte Dramática (EAD), em São Paulo. Neste período de formação, participou de montagens com direção de Alfredo Mesquita, tendo sido dirigido também por Antunes Filho, em A Falecida, de Nelson Rodrigues. Dois anos depois, ainda na EAD, fez um exame de comédia em Este Ovo É Um Galo, de Lauro César Muniz, com direção de Silnei Siqueira. Ruth Escobar assistiu ao espetáculo e convidou quatro integrantes para remontá-lo profissionalmente no Teatro Ruth Escobar, estreando em 1968. No mesmo ano, seguiu para o Teatro de Arena, substituindo Antonio Fagundes em Primeira Feira Paulista de Opinião, de Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Jorge Andrade, Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos e Augusto Boal, com direção de Boal. 
Sua primeira produção em teatro ocorreu em 1971, com Palhaços, texto de Timochenco Wehbi, dirigida por Emílio Di Biasi. Fez uma incursão como ator no Theatro São Pedro, em Frank V, de Friedrich Dürrenmatt, sendo dirigido por Fernando Peixoto, em 1973. No ano seguinte, participou de Um Homem Chamado Shakespeare, de Barbara Heliodora e Ana Amélia Carneiro de Mendonça, uma direção de Antonio Ghigonetto e Bárbara Heliodora.
Ele ganhou Troféu Mambembe e Prêmio Molière de melhor ator em 1981, por sua atuação em Lua de Cetim, de Alcides Nogueira, com direção de Marcio Aurelio. Na crítica ao espetáculo, recebeu um elogio de Sábato Magaldi: “Umberto Magnani aproveita a melhor oportunidade que teve como ator e vive um Guima comovido, mentindo-se no fracasso e bebida, marcado pela tragédia”. Recebeu também o Troféu Mambembe e o Prêmio Governador do Estado de melhor ator em Às Margens do Ipiranga, texto e direção de Fauzi Arap, em 1988. Magnani levou ainda o Prêmio Governador do Estado novamente em 1989, agora em Nossa Cidade, de Thornton Wilder, direção e adaptação de Eduardo Tolentino de Araújo, numa produção do Grupo TAPA.
O veterano foi dirigido por Francisco Medeiros em Uma Vida no Teatro, de David Mamet, que ganhou o nome de Avesso na montagem brasileira, com tradução de Edla Van Steen, em 1996. Neste espetáculo, atuava ao lado do filho Beto Magnani, discutindo a relação entre dois atores nos bastidores de um teatro. Por vários anos, pai e filho percorreram cidades do interior de São Paulo e do Brasil com esta montagem. Em muitos de seus espetáculos como intérprete, atuou também como produtor. Foi o caso de Palhaços, em 1970; Mocinhos Bandidos, em 1979; Lua de Cetim, em 1981; Cabeça e Corpo, em 1983; Louco Circo do Desejo, em 1985; O Jogo, em 1994; e Uma Vida no Teatro, em 1996.
Como homem de teatro, assumia não só funções artísticas, mas também atuava em direção de produção e administração de vários espetáculos, dentre eles: A Capital Federal, de Artur Azevedo (1855-1908), direção de Flávio Rangel, produção de Cleyde Yáconis, em 1972; Reveillon, de Flávio Márcio, direção de José Renato; em 1975; O Santo Inquérito, de Dias Gomes, direção de Flávio Rangel; em 1977; Honra, de Joanna Murray-Smith, direção de Celso Nunes; em 1999.
Magnani trabalhou continuamente em televisão, tendo também algumas incursões no cinema nacional. Entre televisão, teatro e cinema foram mais de 40 personagens. Na Globo, além de Velho Chico, trabalhou nas seguintes novelas: Sétimo Sentido (1982), Felicidade (1991), História de Amor (1995), Por Amor (1997), Corpo Dourado (1998), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003); Cabocla (2004), Alma Gêmea (2005) e Páginas da Vida (2006). E nas minisséries: Anarquistas Graças a Deus (1984), Grande Sertão: Veredas (1985), Memórias de um Gigolô (1986), Presença de Anita (2001). 
Magnani participou de produções também no SBT, como Amigas e Rivais (2007), Éramos Seis (1994), Razão de Viver (1983) e Joana (1985), e também na Record: Chamas da Vida (2008), Ribeirão do Tempo (2010), Máscaras (2012), Balacobaco (2012), Milagres de Jesus (2014) e Conselho Titular (2016), que ainda será exibido.
No cinema, ele atuou em Chão Bruto (1976), Jogo Duro (1985), A Hora da Estrela (1985), Kuarup (1989), Cronicamente Inviável (2000), Cristina Quer Casar (2003) e Quanto Vale Ou é Por Quilo? (2005).
Grande amigo de Umberto Magnani, o autor Manoel Carlos sempre fez questão de ter o ator em suas novelas e minisséries. E chegou a comentar comigo, durante uma entrevista. “Magnani, assim como a Beatriz Lyra, são meus pés de coelho. Por isso gostava de saber
que estava escrevendo para eles!”. RIP, Umberto Magnani!
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3 comentários em “O Brasil perde o grande Umberto Magnani”

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